Presidente do Coren-MT se licencia e confirma pré-candidatura, enquanto gestão é alvo de críticas na enfermagem
Bruna Santiago entra no cenário eleitoral em meio a denúncias de perseguição interna, questionamentos sobre transparência e insatisfação de profissionais
Presidente do Coren-MT se licencia e confirma pré-candidatura, enquanto gestão é alvo de críticas na enfermagem A presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso, Bruna Santiago, confirmou sua pré-candidatura a deputada estadual e se licenciou do cargo para disputar as eleições. O movimento, já esperado por parte da categoria, intensificou críticas à sua gestão e reacendeu debates sobre o papel político de dirigentes de conselhos profissionais.
Embora a legislação permita a participação de conselheiros em disputas eleitorais — desde que haja afastamento das funções, conforme diretrizes do sistema Conselho Federal de Enfermagem — a decisão ocorre em um cenário marcado por forte contestação interna.
Críticas sobre liderança e diálogo
Parte dos profissionais de enfermagem em Mato Grosso classifica a gestão como distante e com baixa capacidade de diálogo com posições divergentes.
Relatos ouvidos pela reportagem apontam que críticas feitas à administração teriam sido:
Ignoradas ou não respondidas;
Restritas em canais institucionais;
Em alguns casos, seguidas de bloqueios em redes sociais ligadas ao conselho;
As práticas, se confirmadas, levantam questionamentos sobre transparência em uma autarquia pública.
Denúncias de perseguição interna
Um dos pontos mais sensíveis envolve acusações feitas por profissionais que alegam a existência de perseguição política dentro do conselho.
Segundo esses relatos:
Integrantes de grupos considerados opositores teriam sido alvo de processos éticos;
As medidas seriam usadas, na avaliação dos denunciantes, para limitar a atuação de chapas contrárias à gestão;
Até o momento, não há decisão judicial que comprove irregularidades, e o uso de processos éticos é atribuição legal dos conselhos profissionais — o que exige análise técnica caso a caso.
Questionamentos sobre remuneração
Outro tema que tem gerado repercussão entre profissionais envolve valores recebidos por conselheiros.
Dados públicos disponíveis em portais de transparência indicam pagamentos relacionados a:
Auxílios institucionais;
Jetons por participação em atividades do conselho;
Reembolsos administrativos;
Relatos apontam que, em um dos auxílios, valores que ultrapassariam R$ 200 mil teriam sido pagos ao longo da gestão. No entanto, esses pagamentos seguem normas estabelecidas pelo sistema Cofen, e não há, até o momento, comprovação de irregularidade.
Ainda assim, o tema tem gerado desconforto entre profissionais, que questionam a distância entre esses valores e a realidade enfrentada pela categoria.
Percepção de gestão sem impacto direto
Entre trabalhadores da enfermagem, a principal crítica não está apenas na política, mas nos resultados práticos da gestão.
Relatos recorrentes indicam que:
Não houve mudanças significativas na rotina profissional;
Promessas de maior presença institucional não se concretizaram;
Demandas históricas da categoria seguem sem solução;
Além disso, há percepções de que conselheiros teriam ocupado posições estratégicas em unidades de saúde, o que também é alvo de questionamentos dentro da categoria.
Acusações de seletividade política
Outro ponto levantado por profissionais é a suposta seletividade em ações de fiscalização e posicionamentos públicos.
Segundo críticas, a gestão teria direcionado maior rigor em contextos ligados a adversários políticos, enquanto adotaria postura diferente em relação a grupos alinhados ideologicamente.
Essas percepções não possuem comprovação formal, mas ampliam o debate sobre a politização de uma instituição de caráter técnico.
Entre a política e a enfermagem
A pré-candidatura de Bruna Santiago coloca a enfermagem no centro do debate político em Mato Grosso, mas também expõe divisões internas na categoria.
Especialistas apontam que o maior desafio, nesses casos, é garantir:
Separação entre atuação institucional e projeto político;
Transparência no uso da estrutura pública;
Respeito à pluralidade dentro da categoria;
Conclusão: alerta à categoria
Com a licença do cargo e a entrada no cenário eleitoral, a trajetória da atual presidente do Coren-MT passa a ser analisada também sob o ponto de vista político.
Para profissionais da enfermagem, o momento é de atenção e avaliação crítica. Mais do que promessas, o histórico de gestão, as ações concretas e a relação com a categoria tendem a pesar no julgamento da classe.
O debate, agora, deixa de ser apenas administrativo e passa a ser também eleitoral — com impacto direto sobre a representatividade da enfermagem em Mato Grosso.
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